COUSA DE GAUCHO

COUSA DE GAUCHO

sábado, 27 de setembro de 2014

Buenas Indiada!!!



Quintino era seu nome
                       Adilson Remedi Ribeiro

O que lhes conto agora senhores,
não presenciei, mas lhes garanto aconteceu
ouvi no bolicho do Anastácio
durante um carteado
entre gritos de imbido e truco
o Firmino ia narrando
foi na cancha da taquareira
quando viram a figura
negro como noite escura
de branco o fundo do olho
e os dentes que mostrou
em estrondosa gargalhada
que nenhum dos presente
entendeu a motivação
desse dia em diante o vivente
se tornou figura conhecida na região
o negro vindo não se sabe de onde
era um liberto, andava pelos corredores
montado em uma mula branca
contava que ganhou de um cura missioneiro
tipo de pouca conversa, “pero mui buenacho”
onde tinha reunião se chegava
nas estâncias por um prato de bóia
chucros de qualquer pelo domava
Quintino era seu nome,
nunca refugou bolada, pois não nasceu potro
pra lhe por no chão
Quintino ganhou fama,
mas foi isso no mas
porque a paga que lhe davam
era pouso e bóia.
Firmino deu uma tossida seca
limpou a voz e prosseguiu:
La pro passo do Blanco
certa feita, depois de uns pulos
trouxeram um gateado pata branca
o maleva vinha roncando e bufando
parecia locomotiva num repechão
diz que os que estavam por perto
viram o negro estremecer o corpo
como num arrepio de pavor
mas Quintino era negro liberto
e com ele não existia superstição
se enforquilhou no lombo do bruto
e gritou pode soltar
foi um pulo apenas
e o corpanzil do moreno
se ergueu em direção aos céus
o gateado com ar debochado
saiu atirando as patas pra todo lado
e o Quintino se estirou no pasto
com tremendo estrondo
como eucalipto caindo em temporal de verão
socorrido o cristão foi carregado pro galpão
por lá na hora do mate
quando o sol se esconde no poente
comentou com o caseiro
enquanto remexia o braseiro
que tinha tocado a mão de Deus
desde esse dia nunca mais se ouviu falar
em nova gineteada do moreno
que assim que pode montou sua mula e partiu
meio encurvado sobre a montaria
sumiu na curva do corredor
levando junto sua dor
e ninguém mais o viu
No corredor da capela queimada
a mula branca do Quintino foi abandonada
mas do ginete nem sinal
lhes conto tudo isso porque outro dia
andando pelo povoado
vi um homem de corpo meio curvado
semelhante ao domador
puxando um carrinho desses de juntar papelão
tenho certeza não me engano
conheci a figura Quintino era seu nome
negro liberto explorado sem assistência voltou a escravidão


sábado, 13 de setembro de 2014

11 de Setembro de 1836, Proclamação da Republica Rio-grandense!



Buenas Indiada!!!

Mas que barbaridade!!!



O corre-corre de hoje deixei passar a informação...



11 de Setembro de 1836, Proclamação da Republica Rio-grandense!



Bravos companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria!



Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da Corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das vantagens locais de nossa província, faz derramar sem piedade o sangue de nossos compatriotas, para deste modo fazê-la presa de suas vistas ambiciosas. Miseráveis! Todas as vezes que seus vis satélites se têm apresentado diante das forças livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano os faça desistir de seus planos infernais.

São sem número as injustiças feitas pelo Governo. Seu despotismo é o mais atroz. E sofreremos calados tanta infâmia? Não, nossos companheiros, os rio-grandenses, estão dispostos, como nós, a não sofrer por mais tempo a prepotência de um governo tirânico, arbitrário e cruel, como o atual. Em todos os ângulos da província não soa outro eco que o de independência, república, liberdade ou morte. Este eco, majestoso, que tão constantemente repetis, como uma parte deste solo de homens livres, me faz declarar que proclamemos a nossa independência provincial, para o que nos dão bastante direito nossos trabalhos pela liberdade, e o triunfo que ontem obtivemos, sobre esses miseráveis escravos do poder absoluto.

Camaradas! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um estado livre e independente, com o título de República Rio-grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará competentemente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: viva a República Rio-grandense! Viva a independência! Viva o exército republicano Rio-grandense!



Campo dos Menezes, 11 de setembro de 1836


Antônio de Sousa Neto, coronel-comandante da 1ª brigada.