COUSA DE GAUCHO

COUSA DE GAUCHO

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Milonga de Três Bandeiras - Pepe Guerra

A PAMPA DIVIDIDA



Buenas Indiada!!!

 A PAMPA DIVIDIDA

Quando Napoleão Bonaparte com suas tropas invadem a Espanha, 1808, depondo o rei Fernando VII, o Cabildo de Buenos Aires declarou sua emancipação. Dom Francisco Javier Élio, vice-rei da Província do Rio da Prata, estabeleceu residência em Montevidéu e pediu auxílio a D. João, casado com Carlota Joaquina, contra as tropas de José Gervásio Artigas.
D. Diogo de Souza, governador do Rio Grande do Sul, reuniu três mil soldados no acampamento em Bagé, formando o Exército Pacificador, invadindo o Uruguai em 1811.
Lorde Stangford, temendo perda do porto de Montevidéu, negociou a paz. Artigas não aceitou a paz e marchou com 16 mil pessoas para a outra margem do rio Uruguai.
O território abandonado foi ocupado por estancieiros luso-brasileiros.
Francisco Frederico Lecor, com um exército de dez mil homens, invadiu pelo arroio Chuí e conquistou Montevidéu, em 1817. O Cabildo de Montevidéu, representando o povo cansado das lutas dos caudilhos, votou pela incorporação do Uruguai ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, com o nome de Província Cisplatina.
A região da Campanha uruguaia continuou em mãos dos caudilhos patriotas.
O território cisplatino que cansado de lutas e seguindo o exemplo de independência do estado brasileiro, 1822, também busca sua independência e o Rio Grande do Sul ainda se vê palco de invasão espanhola por largo período, sendo que no ano de 1825 a Banda Oriental do Uruguai é reintegrada às Províncias Unidas do Prata, provocando a guerra com o império do Brasil, em 1828.
O caudilho Frutuoso Rivera fugindo de D. Manoel Oribe atacou o território das Missões, recebendo a adesão das pequenas tropas de milicianos. Em São Borja o caudilho reuniu um congresso de habitantes, contando com o apoio de todos por causa da má administração e do abandono da região.
A Convenção de Paz de 27 de outubro de 1828, assinada no Rio de Janeiro, determinou a retirada de Rivera das Missões e reconheceu o estado da República Oriental do Uruguai, criado no dia 27 de Agosto de 1828.

Estava decretada a divisão territorial da pampa. Rio Grande do Sul (Brasil), Argentina e Uruguai, três pátrias compartilhando uma mesma característica de clima, vegetação, relevo e principalmente a tipicidade do homem pampiano. O gaúcho ou “El gaucho”, é em principio o homem rural, mas também todos os habitantes da “pampa gaucha” adquirem esta denominação.  



terça-feira, 17 de junho de 2014

Conflitos entre os reinos de Espanha e Portugal e seus reflexos no pampa



Buenas Indiada!!! 

Conflitos entre os reinos de Espanha e Portugal e seus reflexos no pampa
 
Ao final da guerra guaranítica, cumprido o tratado de Madri, a região passa por um período de tranquilidade aparente, período que foi rompido assim que ocorreu novo desentendimento entre as coroas espanhola e portuguesa, no ano de 1762, por estarem em lados opostos na chamada guerra dos sete anos.
Governava Buenos Aires, Dom Pedro de Ceballos, o qual ataca a Colônia de Sacramento, em 29.10.1762, e toma a fortaleza de Santa Teresa, ainda em construção, e o forte de São Miguel, tentando reaver os territórios perdidos.
As autoridades de Rio Grande fogem para Viamão, abandonando à vila aos invasores.
O governador José Marcelino de Figueiredo, a fim de enfrentar a invasão espanhola, determinou a fundação de novas povoações: Porto dos Casais (depois Porto Alegre), Bom Jesus do Triunfo, São José do Taquari, Mostardas, com as famílias açorianas que ainda estavam esperando a transmigração para as Missões, reorganizando o espaço luso-brasileiro.
Em 1776 a vila de Rio Grande foi retomada e o Tratado de Santo Ildefonso, de 1777, incorporou à capitania de Rio Grande o território entre os rios Jacuí e Camaquã, que já estava ocupado por luso-brasileiros com fazendas de criação de gado.



A política portuguesa intensificou o domínio militar, enviando mais tropas para o sul. Há um equilíbrio entre as políticas ibéricas com longo período de paz, até ser rompido pela invasão de Portugal pelo exército espanhol, em 1801.
O governador Veiga Cabral, que já esperava a guerra, perdoou os desertores e conseguiu empréstimo com comerciantes para aparelhar o exército no sul. Um bando de desertores e contrabandistas chefiado por José Borges do Canto invadiu as Missões contando com a conivência do governador espanhol Dom Rodrigo que estava ameaçado de uma devassa. Patrício Correa da Câmara, comandante de Rio Pardo, avança para o sul, com intenção de invadir Montevidéu, mas a morte do governador Veiga Cabral, detém sua marcha.

A paz entre Espanha e Portugal estabelecia que os territórios onde estivessem os exércitos seriam a nova fronteira.



Estancieiros rio-grandenses e ranchos de pobres saquearam as estâncias missioneiras e espanholas, destruindo inclusive a povoação de S. Gabriel do Batovi.
Numa guerra rápida, com poucas perdas, as regiões das Missões e da Campanha foram incorporadas à Capitania do Rio Grande do Sul. Os índios missioneiros abandonaram os Sete Povos, esparramando-se pelas estâncias do Rio Grande do Sul e do Uruguai, trabalhando como peões, tropeiros ou sendo incorporados ao exército.

















domingo, 15 de junho de 2014

Tomba o Guerreiro Missioneiro



Buenas Indiada!!!

A Guerra Guaranítica que teve inicio no ano de 1754, andou, nos primeiros movimentos, entre escaramuças com grupos de reconhecimento do terreno enviados pelas tropas invasoras e guaranis que tomavam conta dos postos de controle das estâncias de engorda do gado, até que em meados do final do mês de janeiro e inicio do mês de fevereiro do ano de 1756, se deu um combate mais acirrado entre missioneiros e tropas Hispânicas-portuguesas, onde aos sete dias do mês de fevereiro tomba nos campos de São Gabriel, localidade de Caiboaté, um dos maiores lideres dos combatentes guaranis, Sepé Tiaraju, (nascido em um dos aldeamentos jesuíticos dos Sete Povos das Missões, foi batizado com o nome latino cristão de Joseph. Bom combatente e estrategista, tornou-se líder das milícias indígenas que lutaram contra as tropas do exército português e espanhol na chamada Guerra Guaranítica) . Seu corpo foi inicialmente queimado pelos invasores, mas bravos guerreiros retornaram ao local onde foram sepultados os restos mortais do chefe e levaram para local desconhecido. Os índios foram derrotados nos dias que sucederam a morte do “capitão” pelas tropas militares que melhor equipadas de armamento e logística conseguiram fazer valer as ordens dos reis.
Na localidade onde tombou o guerreiro foi inicialmente colocada uma cruz de madeira, hoje já trocada por uma imensa cruz de concreto.


Hoje o guerreiro missioneiro é considerado um santo popular brasileiro e foi declarado "herói guarani missioneiro rio-grandense" por Lei Estadual e Federal (2009). Sua memória ficou registrada na literatura por Basílio da Gama no poema épico “O Uraguay” (1769).

domingo, 8 de junho de 2014

A cultura riograndense transmitida de geração a geração!

Esta terra tem dono!!!



Buenas Indiada!!!

Dando sequencia ao nosso relato, consta que após a retirada dos bandeirantes, guaranis e jesuítas retomaram as missões reerguendo aquilo que havia sido destruído e em 1641 na Batalha de M'Bororé, já autorizados a utilizarem armamento, os guaranis orientados e guiados pelo padres vencem as forças portuguesas, na pele dos bandeirantes paulistas. Com a entrada da mão de obra escrava trazida do continente africano, os habitantes do Tape ficaram esquecidos momentaneamente. A coroa portuguesa, no entanto ainda pretendia expandir seu território, tanto que em 1680 fundou a Colônia do Sacramento, frente à Buenos Aires em pleno domínio espanhol, os anos foram se sucedendo e no período de setenta anos nasceram às novas reduções jesuíticas, os atuais sete povos missioneiros, inclusive, até que no ano de 1750, Espanha e Portugal assinam o Tratado de Madri fazendo a troca das Missões, pela Colônia de Sacramento. Jesuítas e principalmente os Guaranis, não aceitaram a ordem de entrega do território aos portugueses por entenderem-se os verdadeiros proprietários da terra. No ano de 1754 as duas coroas enviam tropas a região para definirem a situação, durante os combates surge o primeiro herói da pampa. Nos campos de Caiboaté, tomba o guerreiro Sepé empunhando sua lança e gritando que: “... esta terra tem dono...”, assim foi o inicio de sanguinária guerra onde sangue inocente manchou de rubro o chão missioneiro.       

Na gravura modelo da Civilização destruída pelos conquistadores espanhóis e portugueses.