COUSA DE GAUCHO

COUSA DE GAUCHO

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Chimarrão velho amigo



 Doce amargo

 "Me de um chimarrão de erva boa
   o amargo desse doce me faz bem
   o amargo representa uma saudade
   e o doce um coração que ela não tem"



                   O chimarrão ou mate é uma bebida característica da cultura do sul da América do Sul. É um hábito legado pelas culturas indígenas quíchuas, aimarás e guaranis. Conta à lenda da erva-mate que um velho guerreiro guarani vivia triste em sua cabana, pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e pescar, vivendo só com sua linda filha Yari, que o tratava com muito carinho, conservando-se solteira para melhor dedicar-se ao pai.
Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que pernoitou na cabana recebendo seus melhores tratos. A jovem cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranquilo, entoando um canto suave e triste.
Ao amanhecer, o viajante confessando ser enviado de Tupã, quis retribuir-lhes a hospitalidade dizendo que atenderia a qualquer desejo, mesmo o mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandoná-lo, pediu que lhe fosse devolvida as forças, para que Yari se tornasse livre.
O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou ainda Yari, em deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes.
Quando os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis e receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de um canudo, preparada, com folhas de uma árvore nativa da região chamada "cáa" dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De imediato os espanhóis adquiriram este hábito e passaram a tomar o chimarrão, desde os soldados até oficiais, sem distinção de classes sociais.
O chimarrão, tradicional é hábito do Rio Grande do Sul, é um símbolo da hospitalidade do gaúcho, que oferece sempre a qualquer visitante. Atualmente, é bebido em uma cuia onde depositamos um pouco de erva-mate já moída e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver), através de uma bomba de metal.
O costume de tomar chimarrão está bastante difundido, tanto no meio rural como no urbano e faz parte da vida do gaúcho desde o amanhecer até a noite, quando encerra suas tarefas do dia.
Segundo relatos, na década de 40 em Porto Alegre, a capital dos gaúchos, consumir está bebida tão amada por nós era algo realmente recriminado. Os poucos jovens que cultuavam estes costumes que traziam do seu interior, das suas cidades, dos seus ranchos, sofriam muito com discriminações culturais por seus hábitos. As influencias dos EUA e da Europa na época era muito forte, e Porto Alegre então não aceitava seu interior tão primitivo. Hoje a realidade já é outra, com tantos consumidores de chimarrão, encontramos em parques, áreas publicas até mesmo chimarrodromos(maquinas instaladas com o objetivo de fornecer agua quente gratuitamente), as reuniões aos fins de semana ou ao entardecer de cada dia não seriam as mesmas sem o nosso singular habito do chimarrão. Agradeço a todos pela leitura vou me retirando pra tomar um mate bem topetudo. Acompanhem...