Doce amargo
o amargo desse doce me faz bem
o amargo representa uma saudade
e o doce um coração que ela não tem"
O chimarrão ou mate é uma bebida característica da cultura do
sul da América do Sul. É um hábito legado pelas culturas indígenas quíchuas,
aimarás
e guaranis.
Conta à lenda da erva-mate que um velho guerreiro guarani vivia triste em sua
cabana, pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e
pescar, vivendo só com sua linda filha Yari, que o tratava com muito carinho,
conservando-se solteira para melhor dedicar-se ao pai.
Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que pernoitou na
cabana recebendo seus melhores tratos. A jovem
cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranquilo, entoando
um canto suave e triste.
Ao amanhecer, o viajante confessando ser enviado de Tupã, quis
retribuir-lhes a hospitalidade dizendo que atenderia a qualquer desejo, mesmo o
mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para
não abandoná-lo, pediu que lhe fosse devolvida as forças, para que Yari se
tornasse livre.
O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma
infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou ainda Yari, em deusa dos
ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da
erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo,
tornando-os mais fortes e valentes.
Quando os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis
e receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de
um canudo, preparada, com folhas de uma árvore nativa da região chamada
"cáa" dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De
imediato os espanhóis adquiriram este hábito e passaram a tomar o chimarrão,
desde os soldados até oficiais, sem distinção de classes sociais.
O chimarrão, tradicional é hábito do Rio Grande do Sul,
é um símbolo da hospitalidade do gaúcho, que oferece sempre a qualquer
visitante. Atualmente, é bebido em uma cuia onde depositamos um pouco de
erva-mate já moída e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver),
através de uma bomba de metal.
O costume de tomar chimarrão está bastante
difundido, tanto no meio rural como no urbano e faz parte da vida do gaúcho
desde o amanhecer até a noite, quando encerra suas tarefas do dia.
Segundo relatos, na década de 40 em Porto Alegre, a capital
dos gaúchos, consumir está bebida tão amada por nós era algo realmente
recriminado. Os poucos jovens que cultuavam estes costumes que traziam do seu
interior, das suas cidades, dos seus ranchos, sofriam muito com discriminações
culturais por seus hábitos. As influencias dos EUA e da Europa na época era
muito forte, e Porto Alegre então não aceitava seu interior tão primitivo. Hoje
a realidade já é outra, com tantos consumidores de chimarrão, encontramos em
parques, áreas publicas até mesmo chimarrodromos(maquinas instaladas com o
objetivo de fornecer agua quente gratuitamente), as reuniões aos fins de semana
ou ao entardecer de cada dia não seriam as mesmas sem o nosso singular habito do chimarrão.
Agradeço a todos pela leitura vou me retirando pra tomar um mate bem topetudo. Acompanhem...


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